"Ensinar literatura: um barco cheio de fantasmas", Sabrina Sedlmayer

Por Otávio Moraes





Olá, Sabrina. Agradeço de coração por topar essa conversa, conversa por correspondência. Aviso, não tanto para ti, mas sim para o leitor que irá atravessar o nosso diálogo. Ele foi costurado da seguinte maneira: li um pouco da Sabrina escritora, presenciei a Sabrina professora de Literatura Portuguesa na UFMG e, agora, conjugadas minhas impressões, gozo da oportunidade de propor algumas “pensações”. As perguntas foram enviadas por e-mail.



Em um dos seus textos, um depoimento acerca da professora Jeanne Marie Gagnebin (importante estudiosa do pensamento benjaminiano, tradutora e muito mais), você propõe uma listagem de livros que pensa como marcantes para ela. Nas suas próprias palavras: Talvez todo professor, depois de muitos anos em sala de aula, seja capaz de enumerar os livros essenciais utilizando apenas os cinco dedos de uma das suas mãos. Gostaria de furtar essa formulação e transformá-la não em uma afirmação, mas sim em uma interrogação, quais são os cinco livros da sua mão?


Os livros convivem comigo como uma ruidosa multidão e são bem mais do que cinco, os essenciais. Nas estantes eu os agrupei em blocos de afinidades eletivas (Deleuze perto de Bacon, Spinoza e Kant; Coetzee ao lado de Beckett e Faulkner; Ana Cristina César ao lado da Sylvia Plath e Ana Martins Marques...), mas estão outras tantas vezes misturados, como quando escrevo um texto, um artigo, e ficam por meses amontoados, em pilhas, sem fios aparentes. Como os amigos, eles têm paciência, ficam por perto, à espera da ideia da prosa e de uma possível alegria compartilhada pela e na leitura.


Mas trata-se de uma pergunta difícil, intempestiva, que embaralha os tempos. Confesso que não sou muito boa em listas, porque a Jeanne Marie Gagnebin (a chamo de Jane) me ligou assim que leu o texto e corrigiu as suas preferências (risos!). Só acertei 2! Ainda bem que o título previa antecipadamente a humildade/o fracasso da empreitada...


Desconfio, assim, que existem os livros que temos ternura, mas que já não queremos relê-los; há outros aos quais somos para sempre gratos por terem nos ajudado a ser quem somos hoje, por isso a maior das fidelidades; outros nos quais encontramos a graça, mas nada conseguimos reter deles e continuam para sempre como segredo; há também as paixonites que nos arrebatam e nos deixam eufóricos por uns dias, talvez por um verão inteiro. São aqueles que chamo de leitura de rede (para ler deitada) e preenchem os dias lentos, sem exigirem muito. Devo muito a todos eles.


Farei uma lista injusta e incompleta apenas para que nossa conversa se inicie:

  1. O homem sem qualidades, Musil

  2. Bíblia Sagrada

  3. Lavoura arcaica, Raduan Nassar

  4. A redoma de vidro, Sylvia Plath

  5. Grande sertão: veredas, Guimarães Rosa


Não sei como seria a vida sem reler Camões, Michaux, Orides Fontela, Kaváfis, Baudelaire, Benjamin, Hilda Hilst, Sebald, Borges, Herberto Helder, Bolaño, Kafka, Clarice Lispector, Agamben, Wislawa Szymborska, Monteiro Lobato, Cecília Meireles, Elvira Vigna, Joan Didion… estão nos dedos da outra mão e dos meus pés, pois, como aprendi em Um relatório para uma Academia, de Kafka, a nossa origem de macaco faz cócegas no calcanhar de qualquer um que caminhe sobre a terra – do pequeno chimpanzé ao grande Aquiles. Assim, temos direito a contar os outros dedos, não é?



No embalo da primeira pergunta, peço que você fale, na verdade escreva, um pouco da sua trajetória. Digo isso não interessado exatamente no percurso formal, mas sim no informal, no perambular das ideias. Quais questões, textos, amizades você frisaria na rota que te levou a pensar os textos e os contextos tal qual você pensa hoje em dia?


Minha trajetória acadêmica oficial é errática. Já escreveram isso muitas vezes nos pareceres dos órgãos de fomento brasileiros para argumentarem por que a negativa, por que não me concediam auxílio financeiro para um projeto ou para uma determinada bolsa que pleiteava, mas o trajeto do desejo, graças, sempre foi luminoso.


Tentarei dividir essa resposta, para não ficar com jeito de memorial, em três blocos. O primeiro seria o da infância interiorana e o da primeira juventude. Estudei quase toda a vida em escolas públicas, estaduais e municipais. Só adolescente tive contato com uma escola de classe média e com os hábitos burgueses de consumo. Foi áspera a mudança de cidade. Eu era muito nova. A solidão e o senso agudo de responsabilidade vieram daí. Já a escolha de ser professora, desconfio que se deve ao fato de a minha mãe ter sido professora. Eu sempre a via com mapas abertos ou corrigindo provas e trabalhos. Guardo uma foto de quando tinha 7, 8 anos, dando aulas para os irmãos e amigos mais novinhos. Mimetizava a minha mãe. Foi nesse tempo que comecei a devorar livros. As antologias chegavam ao interior pelo Clube dos Livros, e eu descobri Cecília, Drummond, Fernando Sabino, Otto Lara, muito pequena. Tenho até hoje a coleção Para gostar de ler. Lia em cima das árvores, deitada no chão, no quartinho de despejo da minha casa para ninguém perceber que eu não estava fazendo as tarefas.


O segundo bloco tem o tormento da adolescência. Não sabia o que escolher como profissão. Gostava de ler e de escrever, mas não tive força nem clareza para fazer vestibular para Letras. Assim, tropecei: fiz dois cursos concomitantemente e não segui nenhum: Comunicação Social, na PUC-Minas, e Psicologia, na UFMG. Coisas que só jovens com muito corpo conseguem: estudava de manhã cedo na Fafich da rua Carangola (vivaz e louca, cheia de ressaca da contracultura, desde o Bar do Gordo até as práticas coletivas de análise; em tudo diferente da asséptica Pampulha que tive que me adaptar, contra vontade, na metade do curso) e à noite ia para a PUC que misturava, a princípio, os cursos de Publicidade e de Relações Públicas. De manhã descobri a pesquisa; de noite, descobri a sociabilidade (que nunca aprendi direito!). Fiz amizades que duram até hoje. Desse tempo, vem a importância do cinema. Frequentei, às vezes cinco vezes por semana, o Savassi Cineclube ou a sala Humberto Mauro. Não só o cinema, mas também a formação musical foi engatilhada graças aos amigos da faculdade noturna. Os primeiros bares, as primeiras festas. Vivia uma vida dupla: na UFMG me tornei monitora duas vezes, fui bolsista de iniciação científica e descobria a Psicanálise; na PUC ia somente às aulas para me encontrar com os amigos e discutir a diferença das obras de Pollock e Andy Warhol ou o novo filme do Tarkovski; e namorar! Foi nesse tempo que descobri ser mais, ser menos triste, viver em companhia.


O terceiro bloco, aí sim, trouxe questões. Me interessei teoricamente pela questão da subjetividade (a crise do sujeito era como se chamava no início dos anos 1990) e li Lavoura arcaica, que partiu (sem drama!) a minha vida em duas partes. Raduan, que desde 1998 me é muito próximo, já escutou esse caso algumas vezes e sempre deu um sorriso enorme, com olhos cínicos de quem já escutou muita balela sobre a sua obra. Fiz assim o Mestrado em Literatura Brasileira sobre esse romance e desde então não há um dia sequer que eu não leia, escreva ou fale a partir da poesia ou com a prosa. Se fosse recuperar muito sinteticamente as minhas questões, diria então que sempre me interessei pela questão da subjetividade, da autoria (e aqui entra o gesto de antologizar) e a criação do homem com os restos, seja na linguagem literária, nas artes, na filosofia ou no terreno da alimentação.


Numa aula recente, num curso de Kafka que estou ministrando, um aluno muito querido recuperou uma passagem do Abecedário do Deleuze que diz o seguinte: amigo é aquele que nos faz rir no meio de todas as catástrofes. Ele me fez muito feliz ali. Daí, pensando no que você me pergunta sobre os amigos, posso dizer que o riso e o estudo estiveram juntos muitas vezes. Desde 1992, quando entrei formalmente como aluna no curso de Letras, tive a chance de criar laços incríveis. Na cantina, conheci um rapaz com blusa de The Smiths, muito inteligente, que é uma referência intelectual para mim até hoje. Tomávamos café com leite e discorríamos sobre um mundo de livros. Falávamos do Spinoza e do Joyce. Tudo junto e misturado. Minhas orientadoras também são figuras importantes, porque foram dadivosas durante o processo de escrita da dissertação e da tese, e guardo muito esse aspecto da transmissão. O Núcleo Walter Benjamin (NWB) durou 10 anos e promoveu pensamentos (e amigos) que murmuram até hoje. Amizades além-mar, em Lisboa e em Bologna, costuram há mais de vinte e cinco anos os meus projetos. Tenho a sorte de ter uma amiga das artes visuais que tem o sentimento do mundo dentro dela e há tempos escuta de tudo na minha voz. Com ela discuto também a gambiarra. Minha editora, confia nas minhas ideias e projetos de Benjamin até a história da farinha de mandioca. Uma outra amiga, de adolescência, me lembra a qualquer hora o que diz Lacan a propósito de conversarmos como meninas. Ah, e os meus orientandos? Meus intercessores. Muitos alunos: você, Otávio. Isso tudo é rota e contexto, sem fronteiras.



Agora quero falar contigo sobre gambiarra, questão e assunto ao qual você já devotou muita leitura e realizou muita escrita. Minha pergunta é sobre pensar aqui, ao sul do Equador. Instituições como a universidade, a palavra literatura e a escansão foram macaqueadas para cá no processo violento de invenção do Brasil. Agora o Brasil existe e nele moram intelectuais, como você. Existe algo de gambiarra em fazer crítica no nosso contexto latino-americano e brasileiro?


A prática da gambiarra tem uma extraordinária capacidade de lidar com escassez, com a precariedade, mas não é exclusiva do nosso território. Argentina, México, Cuba e outros tantos países com fraturas econômicas, sociais e políticas inventam, criam e se viram com o pouco que se tem em mãos.


Como as práticas de improviso (invenção) poderiam se dar nas experiências de desamparo, escassez e fome? Essa é minha questão e creio que a pergunta já carrega um dado muito importante, que sempre levei em consideração nas aulas, nas palestras, nos textos que escrevi: a gambiarra não é um conceito somente luminoso que exprime graça, humor e criatividade diante de carências das mais variadas ordens. Se pode ser vista, muitas vezes, como um ato de resistência e de astúcia, traz, ao mesmo tempo, um lado obscuro, que tem a ver com o fracasso do processo modernizador; com as imensas fraturas do sistema capitalista. É uma espécie de cicatriz, como um dia li num ensaio de Davi Arrigucci a propósito de um poema do Drummond. Uma marca, um sinal, um vestígio, além de tática, prática e política. Não deixa de ser um testemunho, de ter uma assinatura (no caso das obras artísticas), mas é um remendo.


Se [a gambiarra] pode ser vista, muitas vezes, como um ato de resistência e de astúcia, traz, ao mesmo tempo, um lado obscuro, que tem a ver com o fracasso do processo modernizador; com as imensas fraturas do sistema capitalista. É uma espécie de cicatriz (...). Uma marca, um sinal, um vestígio, além de tática, prática e política.

Assim, algo que percebi, lá no início das pesquisas, e tive possibilidade de analisar e tentar desenvolver, com um pouco mais de rigor posteriormente, é que a gambiarra não tem forma fixa, não é estável, não tem esquemas nem se dobra aos argumentos teóricos prévios. A cada exemplo é recriada. É uma forma-força, se quisermos utilizar um termo do medievalista Paul Zumthor a propósito do que modernamente se chama performance. Se há um acento agudo com o contexto (Belém ou Havana podem ter mil pontos em comum no que tange às táticas de improvisação), não me parece possível realizar uma padronização conceitual. As particularidades socioeconômicas de cada lugar são muito relevantes. Não é algo, de forma alguma, exclusivo das artes visuais ou do design ou dos conceitos sociológicos muitas vezes desenvolvidos pelos célebres “intérpretes do Brasil”. Discutir a gambiarra inevitavelmente gerará o diálogo com áreas diversas, desde a música até a Psicanálise (ou a comida, como escreverei a seguir). Evito, assim, pensar na gambiarra somente como sintoma e tento refletir sobre como a sua prática suspende os códigos pré-estabelecidos. Sim, existe cada dia mais gambiarra na economia da escassez que nós, professores, pesquisadores e alunos brasileiros vivemos no dia a dia. Mas as perspectivas europeias não são mais narrativas que legitimam o que pensamos e escrevemos. É redutor (e caduco) pensar através de dicotomias como ocidente x oriente; centro x periferia; nacional x estrangeiro; sudeste x nordeste… prefiro ficar com a prosa dos meus versos e com a força absurda da alteridade, do hibridismo.



Ditas essas primeiras questões sobre a geografia de pensar, gostaria de voltar para o começo. Falar sobre o seu ofício no campo da docência, ser professora de Literatura Portuguesa. Me envolvo particularmente por essa questão, pois também me interesso pelas letras do além-mar. Penso que seu ofício não pode ser pensado fora do arranjo pós-colonial no qual orbita a lusofonia, o que não deixa de ser uma espécie de fantasmagoria, afinal, o português é a oitava ou a nona língua mais falada no mundo, mas carece de canhões, fuzis e navios de guerra. É uma língua sem império, mas espalhada pela América, pela África e pela Ásia. Expostas essas questões, pergunto: o que é ser professora de Literatura Portuguesa no século XXI?


Há uma frase do Hugo Achugar que diz mais ou menos assim: o lugar da enunciação é uma condição, mas também um compromisso, porque é irresponsável refletir sobre o imaginário do nosso tempo sem deixar de inscrever o lugar de onde se fala ou se reflete, e sem deixar de inscrever o lugar de onde se fala naquilo que se fala. Tal pensamento exprime quase tudo o que sinto em relação ao meu lugar como professora de literatura portuguesa.


Acho também porque, sub-repticiamente, escancara como o estético não é lugar de se esconder o político, ao contrário, devemos sempre apontar de forma mais pontual e crítica. O político é decantado pela arte e pela literatura. Um objeto de estudo nunca deveria ser uma escolha somente pessoal, pois aquilo sobre o qual escrevo se inscreve em mim, quando dou aulas falo para muitos. Logo, as noções dos dêicticos importam muito: o dia de hoje, a cidade que moro, o país que habito e o que se passa em termos históricos. Eu tenho o dever de falar sobre isso tudo.


Desde muitos anos sou tomada pela produção literária de língua portuguesa. O século XX português é um celeiro de poetas e de ficcionistas estupendos. Um espanto a força. Fora o Classicismo, que me arrebata... e Pessoa? Só ele bastaria uma vida inteira de leitura… é um barco cheio de fantasmas. Mas, no momento que te respondo essa questão, lembro que, distraída, me tornei vice-presidenta da AIL (Associação Internacional dos Lusitanistas) e que vivemos um sucateamento de toda a área de Humanas (e de Ciências, de tudo que é saber) no Brasil. Poder conhecer mais sobre a África e conseguir parcerias me enchem de alegria e de vontade de continuar a falar de Cesário Verde ou de Irene Lisboa.



Como última questão, gostaria de conversar sobre a relação entre literatura e culinária. Você costura os dois campos nas suas reflexões e também no próprio exercício culinário, é autora de livros de receitas, produz crítica literária em contato com essa temática e coordena um grupo de pesquisa (SAL - sobre alimentos e literaturas) voltado para o mesmo assunto. Gostaria que você comentasse um pouco acerca dessa liga entre a experiência alimentar e o texto literário e também, se possível, indicasse para mim e para os leitores alguns textos tanto de teoria quanto de literatura que abordem tal encontro.


A vontade de falar de comida, de escrever receitas e publicá-las, nasceu diante das dificuldades que a vida me impôs. Tive que aprender a cozinhar com severas restrições alimentares e um dia, cobrada pela editora (fazia, na altura, a revisão técnica de um livro do Walter Benjamin), falei que não tinha conseguido acabar a tarefa e que só tinha autoridade para falar de comida, tinha acabado de descobrir que conseguira fazer 100 receitas sem leite e sem derivados. Disse isso meio jocosamente, a editora quis ver os rascunhos, se interessou, e esse livro virou um best-seller (na minha trajetória, risos!). Teve um destino bonito. Imagino que muitas crianças alérgicas tiveram seu primeiro bolo de chocolate (há mais de doze anos foi publicado, numa época que ninguém sabia o que era caseína ou lacto-albumina) graças a essas minhas experiências com as panelas. Experiências de uma mãe, sem nenhuma formação no ramo gastronômico, sem nenhuma pretensão.


Mas percebo que, posteriormente, tentei ampliar o entendimento da gambiarra como ato de resistência e criação no campo da alimentação. A sobra, o descarte, o resto, poder fazer um prato com o pouco que se tem em mãos. A jacuba é um exemplo dessa tentativa primeira de dilatar a discussão e sair um pouco do campo das artes e do design. A farofa veio em seguida, também mostrando como bastam três ingredientes e… voilá!


Assim, antes de dois livros, Jacuba é gambiarra (2017), Farofa, uma alegria popular (2020), veio este modesto livrinho, 100 receitas sem leite e derivados, em 2010. Ouvi dizer que alguns colegas falaram, na época da publicação, que era um suicídio acadêmico, mas não foi. Na verdade, foi uma escolha de uma leitora de Walter Benjamin e de Giorgio Agamben (como você sabe, trabalho na interface literatura e filosofia, na linha de pesquisa “Literatura e Políticas do Contemporâneo”) de querer dividir modos de fazer comida como dividiria qualquer outro saber. Como já contei aqui, sempre fui uma professora das misturas e nunca uma especialista ou scholar.


Na minha pesquisa atual, trabalho especificamente a questão da fome na literatura. É um assunto dolorido, mas que tem uma linhagem poderosa de pensadores no Brasil: Josué de Castro, Glauber Rocha, Carolina de Jesus, Clarice Lispector, Guimarães Rosa… e no cinema? A quantidade de filmes é inumerável.


Então, no meio disso tudo, comecei a ler e me interessar cada dia mais sobre o assunto da comida como linguagem. Roland Barthes (ah, la saveur du savoir!) e Massimo Montanari foram primeiras referências. Do crítico francês, indico Mitologias, O Império dos signos e Aula; do medievalista italiano, Comida como cultura. Há também uma pequena pérola, pouco conhecida, que é o libreto La cuisine de Marguerite, da Marguerite Duras. A epígrafe diz muito: La nourriture est faite vraiment pour tout le monde. Comme la vie, ele est faite vraiment pour tous. Pas la littérature.... Prefiro pensar que a autora, como nós, quer que pão e livro sejam para todos… que a vida e a literatura estejam sempre juntas e misturadas, como as peças de uma boa gambiarra. Também indicaria, sem titubear, Os cinco sentidos, Filosofia dos corpos misturados, do Michel Serres.


O SAL (sobre alimentos e literaturas) está aberto para todos os interessados. Fazemos uns minidocumentários, uma espécie de léxico, que valem a pena ser assistidos e difundidos. O mais recente do canal do SAL no YouTube foi o “Bananas”, mas há outros. Para quem gosta de farofa, como essa aqui que está muito feliz de ter participado dessa (longa) conversa, indico a playlist, que fiz junto a uma grande amiga, que está no Spotify e é uma história do Brasil cantada através da MPB, com músicas só sobre a mandioca e o milho. Chama-se “Farofa, uma alegria nacional”.


Obrigada, Otávio, pelo teor e sensibilidade das questões e vida longa para a Cupim!



Belo Horizonte, pandemia, agosto de 2021.




Otávio Moraes é mestre em Literaturas de Língua Portuguesa pela PUC-MG e atualmente cursa o doutorado em Literatura pelo PosLit-UFMG. Pesquisa, estuda e leciona Teoria da Literatura a partir dos entrelugares da Literatura Brasileira e Portuguesa. Seu principal interesse está na História da Literatura, ou melhor, em como a História da Literatura estabelece relações de valor estético. Atua como editor na revista literária Cupim. Pode ser encontrado no seguinte endereço de e-mail: otaviomoraesrg@gmail.com.



Fotografia: Studio Tertulia

Capa: Marco Marinho